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Álcool na veia

Álcool na veia

Referência em preparação de motores, o Brasil anda junto com o etanol desde os anos 1970.

 

Utilizado desde os primórdios da preparação de motores no Brasil, o etanol (ou álcool hidratado, extraído da cana-de-açúcar), agrega diversas qualidades que contribuem para um acerto mais preciso do motor.  Além é claro, de gerar mais potência, quando comparado à gasolina.

Tudo começou com o programa Pró-álcool, instituído por aqui em 1975. O governo militar, na época, instituiu um decreto que obrigava todas as competições a motor a utilizar álcool como combustível – até mesmo motocicletas dois tempos. Ou seja, os preparadores foram obrigados a aprender a trabalhar com o combustível vegetal, em pouco tempo. Na época, inclusive, vieram muitos engenheiros norte-americanos para cá, a fim de aprender como funcionavam os novíssimos motores a álcool. Os preparados, em especial.

Na época, os motores alterados, de aspiração natural, começaram a desfrutar dos ganhos evidentes do álcool. Embora tivesse um consumo por Km rodado (bem) maior quando comparado à gasolina, o acerto e rendimento dos motores se revelou promissor e superior. 

Testes em bancada

Para comprovar que o etanol é aliado da performance, basta a aferição de rendimento de combustíveis em uma bancada de fluxo. Por exemplo: para alimentar cada cavalo de potência é preciso 1,64 cfm (pés cúbicos por minuto de ar) de gasolina, enquanto o álcool pede apenas 1,43 cfm. 

Resumindo: para cada cavalo de potência gerado com etanol, é necessário uma quantidade menor de ar admitido nas câmaras de combustão: se num motor a gasolina o fluxo total de ar admitido for de 167 cfm, ele irá render 100 cv; enquanto num a etanol, irá gerar 113 cv! 

Claro que, para tanto, é preciso que o motor tenha uma compressão interna (taxa de compressão) maior e mais adequada ao tipo de preparação, além de diferentes acertos de comando de válvulas, velas de ignição mais “frias”, entre outros detalhes.

Maior octanagem, menor poder calorífico

Em grande parte, o sucesso do etanol na preparação se deve à sua octanagem superior à gasolina. Enquanto o álcool hidratado de posto rende entre 108 e 110 octanas, a gasolina comum atual atinge cerca de 90 octanas. Já uma gasolina especial, tipo “Premium”, beira 100 octanas. 

Na hora de acertar um motor forte isso se traduz em maior liberdade no acerto da ignição. Pode-se trabalhar com um avanço mais agressivo das faíscas, com álcool. Num motor turbo, isso é muito importante, pois se consegue usar um ponto de ignição mais adiantado, o qual gera mais potência, sem o inconveniente da pré-detonação, que basicamente, pode quebrar um motor ao abusar mais. Ao usar gasolina, mesmo que de alta octanagem, o acerto da injeção/ignição é mais conservador, e os resultados, idem. 

Outra vantagem desde os primórdios dos motores originais a álcool, é a sua durabilidade superior. O etanol combustível não gera resíduos de carvão, tipo de carbonização comum à gasolina; portanto pouco contamina o óleo lubrificante.  

Mas vale lembrar que nem tudo são flores: por conta do poder calorífico menor, um motor a álcool é pior de pegar no inverno e consome cerca de 30% a mais por Km rodado quando comparado à gasolina. Por conta de ser um combustível mais “seco”, pede que todas peças de contato tenham tratamento, do contrário, ataca e oxida bomba de combustível, flauta e bicos injetores.

Auto Masters
Eduardo Bernasconi
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Eduardo Bernasconi, jornalista especializado em automóveis, começou em 1993. De assistente de testes, passou para repórter e editor de várias publicações antes de fundar a FULLPOWER, na virada de 2001 para 2002. É penta-campeão Brasileiro (Arrancada)

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